Tuesday, January 30, 2007

Co-có-ri-có

"De uma galinha perto de você"


Quando me dei conta do que estava escrito no pacote de ovos que recém tinha comprado no supermercado aqui perto de casa, achei muito engracado. No Brasil essa mesma frase teria sentido dúbio.

Mas no pacote de ovos da foto acima, a idéia é dizer que esse produto é de producão local, o que aqui é muito importante. Primeiro porque os suecos sempre querem valorizar o que é sueco. Pra eles, o que é sueco sempre é muito melhor, mais bonito, mais saudável, mais saboroso, "más grande" e obviamente mais caro. Mas especificamente no caso da galinha e dos ovos, a mensagem é também que, por ser de uma galinha que anda ciscando aqui por perto, o ovo é mais fresco (o que remete à frase anterior), e o transporte do produto desde o aviário até o posto de venda não poluiu tanto o ambiente quanto um produto não-local faria.

Thursday, January 25, 2007

"A gente ganha pouco mas se diverte" Urgh!

Estamos todos na faculdade procurando emprego para o verão. Os anúncios de emprego são publicados agora em janeiro, e quem quer trabalhar logo depois de formado tem que procurar agora, senão vai acabar ficando com as vagas que ninguém quis.

Pra quem está comecando a carreira de enfermagem por aqui, o mercado não poderia estar mais "quente". Na agência nacional de empregos, o número de vagas para enfermeiras (os) é duas vezes maior do que as vagas para médicos, psicólogos e dentistas somados. Nem sempre as vagas nas cidades pequenas são preenchidas, afinal muitos dos recém formados ficam nas cidades onde estudaram, geralmente cidades grandes ou médias. Mas até mesmo em cidades médias como Halmstad, o número de enfermeiros disponíveis é menor do que a oferta de vagas durante o verão.

Mas vamos ao que intere$$a: os salários são uma titica. O condado de Halland, aqui onde moro, responsável pelos dois maiores hospitais da região, é o empregador público sueco que paga os menores salários para profissionais de enfermagem. Eu digo, em todo o Reino da Suécia não há enfermeiras que ganhem menos do que essas que trabalham aqui no nosso hospital. Mesmo assim, é nesses hospitais que a maioria das "enfermeiras-to-be" (hehe) aqui da Universidade de Halmstad querem trabalhar.

Em TODAS as cadeiras do programa estudamos as questões do gênero na história da enfermagem e ligacão dessas com o status da profissão. Mesmo assim não faltam colegas que fazem entrevistas e não ousam discutir o salário, "porque discutir salário é coisa muito agressiva". Ainda existe aquele "encosto" de Mariazinha que se acha enfermeira, dona de casa, mãe. Se a classe de enfermagem não fosse predominantemente formada por mulheres, os salários não seriam esses. Até aí morreu o Neves, né? Mas será mesmo? Nos falta saber impor o valor do trabalho, da competência e do caráter científico de ambos. Nem quando estamos com a faca e o queijo na mão, como é a situacão aqui na Suécia, conseguimos fazer isso.

Thursday, January 18, 2007

Chegaram e abalaram


Minha família voltou do Brasil na sexta passada. Voltaram lindos, morenos e falando português o tempo inteiro. O Wagner sempre soube, então não conta. No que chegou em casa, ficou umas duas horinhas com mamãe (eu!), contou as novidades, rimos muito, abracos e beijos, até que o telefone tocou. Era um colega de escola e vizinho que o convidou para "gå över", ou no popular, "dar um pulinho lá". Imaginem se o convite não soou como ordem. Não demorou cinco minutos e o menino já estava lá. É o que dá ter filho adolescente. :(

O marido, que falava pouco, voltou falaando portuguêês, siiim. O charme desse homem falando português, somado ao azul daqueles olhos, adicionado a sua nova tez morena, jesuiscristo! Em Santa Catarina, aliás, alguns argentinos perguntaram se ele era gaúcho. Por que será?

A Cleo, quando chegou no Brasil, não falava nada em português. Agora, depois de um mês visitando a família, já fala português, gauchês, passo-fundês, além de um dialeto MUITO LINDO falado na região de GRAVATAÍ, Morungava e arrabaldes. O engracado foi que, no noite em que eles chegaram de viagem, duas amiguinhas da Cléo vieram aqui em casa pra vê-la, e no que eu abri a porta da casa pra que as meninas entrassem, a Cléo falou, no sotaque gaúcho mais carregado possível:

- "Oi, gurias!"

Quase que não acreditei nos meus ouvidos. Tive que explicar pras meninas, que a Cléo tinha aprendido a falar português e que provavelmente teria dificuldade em falar sueco nos primeiros dias. A Cléo, por sua vez, demorou mesmo pra entender que as meninas não entendiam nada do que ela falava. Falou o tempo todo, gesticulou, deu abracos, deu gargalhadas etc. Um pouco antes das meninas irem
embora, uma delas me olhou meio triste e perguntou.


-"Luci, como que ela pode ficar assim? Será que passa e ela fica normal novamente?"

Agora que estão aqui, a rotina volta ao normal, e o ano comeca de verdade