Monday, August 28, 2006

Xô Censura!



"Hoje fui notificada pelo TRE por ação movida pelo candidato José Sarney contra o meu blog Repiquete no Meio do Mundo.O senador quer direito de resposta e que o TRE me aplique multa de mais de 100 mil reais por que publiquei a foto do muro da casa de um cidadão de Macapá que pintou o seu patrimônio com uma caricatura do Sarney e a expressão Xô ! (Foto acima)Junto com a notificação veio uma liminar para ser cumprida imediatamente retirando a foto do ar. Cumpri a determinação do TRE. Estranhamente meu blog saiu do ar. Não sei o que está acontecendo e a UOL não soube me explicar ainda." Alcilene Cavalcante

Li no blog do Vinícius Factum e depois no blog da Alcinéia sobre esse absurdo que aconteceu com a jornalista amapaense Alcilene Cavalcante.

Lembrei direto daquela série de caricaturas relacionadas ao islamismo e publicadas no ano passado em jornal na Dinamarca. Por fazerem menção de forma não muito educada ao profeta sagrado dos muçulmanos, a pertinência das gravuras foi questionada até mesmo por não-muçulmanos. Porém e à parte o conflito Ocidente x Oriente que a questão possa ter implicado, a liberdade de expressão foi defendida pela maioria dos governos. Ela é, como todos sabemos, o valor sobre o qual as sociedades democráticas estão fundamentadas.

No caso da gravura acima, a questão é pura e obviamente política. Sendo o Brasil um país democrático, é garantido a seus cidadãos o direito de manifestar livremente suas opiniões a respeito das coisas, das criaturas, dos políticos e do que mais lhes der na veneta.

Assim sendo, só me resta acreditar que das duas, uma: ou o ex-presidente da Arena, Sr. José Ribamar Sarney, julga-se no mesmo patamar de Maomé ou está saudoso dos (pra ele) bons e velhos tempos da censura. Sendo qualquer uma das alternativas a verdadeira, o povo do Amapá merece coisa muito melhor do que falsos profetas e coronéis retrógrados.

Veja aqui a lista de blogs que tratam desse assunto.

Det e dax igen

Difícil de iniciar esse post, mas é o seguinte: primeiro dia de aula hoje.

Daqui trinta e poucos minutos estarei eu lá "sentadita" escutando uma palestra sobre o método científico. Nada de muito empolgante mas de qualquer forma... Sabe aquele nervoso que dava no primeiro dia de aula, quando a gente tinha 15 anos? Pois é.

Beijo pra vocês e ótima segunda-feira a todos.

Tuesday, August 22, 2006

Sobre a violência


"Brasil não consegue combater a (onda de) violência" (Dagens Nyheter, 16/5-2006)

Esse foi o título de uma reportagem de página inteira publicada sobre São Paulo em maio desse ano. Nela, a onda de violência de então foi descrita em detalhes, e a situação caótica e surreal no centro financeiro da América Latina foi dita como comparável ao que se espera ver na Somália ou Iraque.

Ao ler essa matéria na época, senti um misto de ódio e desespero. Acabei indo ligar o computador pra ler algo em português e encontrei essa entrevista com o sociólogo francês Loïc Wacquant concedida a Sérgio Dávila e publicada na Folha on line. Wacquant estudou durante muito tempo a situação social brasileira e esteve diversas vezes no Brasil fazendo pesquisas e conduzindo palestras.

O trecho que eu transcrevo abaixo é mais ou menos o que todo mundo já sabe, mas que os políticos e a sociedade se negam a encarar de frente.

"Por que a situação em São Paulo chegou a esse
ponto?

Loïc Wacquant - Porque nas últimas décadas as
elites políticas brasileiras têm usado o estado penal --polícia, tribunais e
sistema judiciário-- como o único instrumento não só de controle da
criminalidade como de distribuição de renda e fim da pobreza urbana. Expandir
esse estado não fará nada para acabar com as causas do crime, especialmente
quando o próprio governo não respeita as leis pelas quais deve zelar: a
polícia de São Paulo mata mais que as polícias de todos os países da Europa
juntos, e com uma quase impunidade.
Os tribunais agem
sabidamente com preconceito de classe e raça.
E o sistema
prisional é um "campo de concentração" dos muito pobres.
Como você pode
esperar que esse trio calamitoso ajude a estabelecer a "justiça"? A manutenção
do que chamo de estado penal só faz com que a violência institucionalizada
alimente a violência criminosa e faça com que as pessoas tenham medo da polícia.
Cria um vácuo que o crime organizado sabe muito bem preencher. Isso permite a
eles que cresçam e sejam tão poderosos e ousados a ponto de desafiar abertamente
o Estado e seu monopólio do uso da violência.

O sr. acha que os ataques acontecerão de
novo?

Wacquant - Sim, pode-se prever que acontecerão
de novo e de novo, pelo menos enquanto as elites políticas se recusarem a
encarar de frente as desigualdades vertiginosas. Nenhuma sociedade democrática
na face da Terra pode combater o crime apenas com seu aparato
policial-judiciário. Quais os remédios? Os de sempre: educação, emprego, seguro
para os desempregados e uma rede social para os mais pobres. O Brasil
paga com violência criminal sua recusa injustificável de encarar sua
desigualdade social."

Estamos todos, brasileiros no Brasil ou residentes no exterior, exigindo dos governantes que as raízes da violência sejam combatidas eficazmente, de forma a fazer do nosso país um lugar seguro para todos, homens, mulheres, brancos, negros, mestiços, ricos e pobres. Não há paz onde há injustiça social, e onde não há justiça não há democracia.

Resolvi publicar esse texto hoje depois de ler o excelente poema da Clarice sobre o tema "Violência", o qual foi originalmente proposto pela Laura.

Posted by Picasa

Saturday, August 19, 2006

Recado

Esse blog não é muito visitado, nem nunca vai ser. As pessoas que se dão ao trabalho de ler esses meus "rabiscos" são as pessoas com quem eu tenho contato e cujos blogs estão relacionados aqui no meu blogroll à direita, além de alguns outros que chegam aqui por acaso procurando por exemplo por "remédios caseiros para verrugas", "enfermagem" ou "suécia". Esses todos são muito, muito mesmo bem-vindos e eu faco (perdão pela falta de cedilha!) questão de retribuir a "visita" virtual, sempre que deixam um comentário.

(Infelizmente, não sei nenhum remédio caseiro pra verruga, piolho, chulé, etc., então ...)

O recado porém vai para os dezenas de "visitantes" semanais que chegam aqui procurando por "fotos de criancas nuas" ou "prostituicão infantil com fotos" ou coisa semelhante:

ESPERO QUE EXISTA NO INFERNO UM LUGAR ESPECIALMENTE HORRÍVEL RESERVADO PRA GENTE CANALHA E SEM VERGONHA COMO VOCÊ, QUE É A VERGONHA E ESCÓRIA DA HUMANIDADE!




Meu post anterior sobre esse assunto está aqui.

Tuesday, August 15, 2006

"Porpagranda"

Enquanto escrevo essas mal traçadas linhas, escuto o programa Gaúcha Hoje pela internet. Eis que o programa é interrompido para que aquele que é um dos "programas" brasileiros mais inoportunos e caros vá ao ar: a propaganda eleitoral gratuita.


"Meu nome é Heloisa Helena, e eu gostaria de agradecer as flores, os beijinhos, os recadinhos que tenho recebido..."
"Minha mãe era costureira..."


Adivinha quem está aqui? Ele mesmo! O nosso "Gerardo"!
"O amor começa dentro de casa para depois se espraiar..."
Gerardo, diz aí a primeira coisa que você vai fazer como presideeeente?
"A primeira coisa que eu vou fazer é respeito."
Por um Brasil honesto, Gerardo présidenti.

Alô, Alô Brasil!
É 12!
Professores do Brasil, mães, pães e jovens...
Países que estavam mais atrasados do que nós, hoje estão na nossa frente.
Eu preciso de você, e o Brasil "preciso" muito de você também.
Educação é 12!

É a hora da rádio Lula Presidente.
Vamos acompanhar a caminhada do presidente Lula a reeleição.
"Bum dia, Alice, bum dia, Wiliam"
A história do presidente Lula é aquela que a gente conhece.
"Eu vendia laranja, tapioca e ... na rua. Era uma luta diária pra trazer comida pra mesa."
Não adianta tentá miiiiiii calá, nunca ninguém vai abafá a minha voz....


Segundo a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, o Governo Federal deixa de arrecadar 191 milhões de reais em impostos por conta do horário eleitoral gratuito. Esse seria o valor pago em impostos pelas emissoras brasileiras caso suas programações normais não fossem interrompidas pelo horário eleitoral.

Sinceramente, quem baseia seu voto nessas propagandas em que os políticos tentam nos garantir que eles também já foram pobres, alguns até miseráveis, passaram fome, mas que apesar disso e por conta da suas super fantastic características acabaram vencendo a pobreza? E desde quando ser pobre conta pontos no curriculum de alguém? Mas em seguida começam a misturar esse discurso "os ricos também choram" com aquela baixaria medonha do "tu não ´tem´capacidade, que eu te conheço". Cresçam e aparecem, né?

Já o debate entre os "presidenciáveis" não teve o presidente. Mas lembram-se vocês, quando ele também era presidenciável e criticava o FHC e o Collor justamente por não aparecerem em debates?

Pois é. Nos horários eleitorais gratuítos ele aparece para contar a história da venda das laranjas e tapiocas. Elas não eram grátis, o horário eleitoral é ; pelo menos para os partidos.

Tuesday, August 01, 2006

Massacre no Líbano


Vocês já viram uma criança morta? Já tocaram em uma criança morta? Já estiveram perto de uma criança prestes a morrer?




É indescritível.



Não há crença ou fé suficiente que preencha o vazio provocado pela morte de uma criança. O sentimento de quem a presencia se resume à absoluta certeza de que não há NADA nesse mundo que a justifique.


Imaginem 37 crianças mortas por bombas de guerra.

Não há justificativa!

É inaceitável!

Fotos: UOL